A startup japonesa Dioseve está desenvolvendo uma tecnologia para o cultivo de oócitos e óvulos de outros tecidos humanos. A tecnologia é baseada no método de produção de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), obtidas por reprogramação epigenética. A equipe do Dieseve já aprendeu a transformar células iPS em oócitos (óvulos) e agora se prepara para realizar uma série de testes em camundongos. Se esse sistema provar ser confiável e seguro o suficiente para as pessoas, permitirá que mulheres que sofrem de infertilidade tenham filhos saudáveis garantidos com a herança de seu próprio DNA.
Dioseve chama seu sistema de DIOL, células semelhantes a oócitos induzidas diretamente. De acordo com o Dr. Nobuhiko Hamazaki, consultor científico de uma startup da Universidade de Washington, em teoria, as células iPS podem ser usadas para cultivar qualquer célula de um organismo vivo. Por exemplo, alguns cientistas os estão usando para produzir órgãos fora do corpo, induzir células beta no pâncreas e criar células-tronco neurais.
Os especialistas japoneses, por sua vez, se concentraram em apoiar as funções reprodutivas humanas. A tecnologia DIOL produz células germinativas primárias que podem se desenvolver em espermatozóides e ovócitos. Ela os diferencia para encontrar oogônias, ou progenitores de oócitos, e então insere os genes nas células iPS. Se esse sistema se provar confiável e seguro o suficiente para humanos, permitirá que mulheres que sofrem de infertilidade tenham filhos com seu próprio material genético. A geração dessas crianças pode ser a mãe biológica real por meio da transferência de embriões (se a capacidade de dar à luz não for perdida) ou por meio da maternidade de aluguel.
Os estudos de laboratório da Dioseve mostraram que o DIOL funciona, então a startup agora está visando testes em animais. Falando ao TechCrunch, o Dr. Hamazaki disse que no caso de camundongos, a obtenção de oócitos levará cerca de 30 dias, enquanto no caso de oócitos humanos, o mesmo processo pode levar cerca de seis meses.
No futuro, a tecnologia da Dioseve alcançará ainda mais - representantes da startup sugerem que, com controle suficiente sobre os oócitos, os médicos poderão garantir o nascimento de crianças saudáveis. Ao mesmo tempo, Dioseve observou que tal nível de influência nas funções reprodutivas deve ser estudado do ponto de vista ético.
“Levamos a ética muito a sério. Precisamos ter muito cuidado porque essa tecnologia pode ser aplicada ao processo de criação de uma criança. Precisamos ter uma conversa profunda com a sociedade para chegar a um consenso sobre se é ético usar essas tecnologias, bem como determinar o alcance dentro do qual o DIOL pode operar”, explicou Hamazaki.
Recentemente, a Dioseve também levantou US$ 3 milhões em financiamento de capital de risco em uma rodada liderada pelo fundo ANRI com a participação da Coral Capital. A startup vai alocar novos fundos para expandir a equipe e os ensaios clínicos de sua tecnologia.
2022-08-23 23:55:37
Autor: Vitalii Babkin